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Marina Monteiro

Nutrição Equina

Qualidade do feno para equinos: não basta oferecer, precisa ser bom

Entenda por que a qualidade do feno impacta diretamente a digestibilidade, a produção de energia, a saúde intestinal e o risco de cólica nos equinos.

Marina Monteiro·
Qualidade do feno para equinos: não basta oferecer, precisa ser bom

Qualidade do feno para equinos: não basta oferecer, precisa ser bom

Entenda por que a qualidade do feno impacta diretamente a digestibilidade, a produção de energia, a saúde intestinal e o risco de cólica nos equinos.

Neste artigo, você vai entender por que nem todo feno é seguro ou nutritivo para cavalos, e como o excesso de lignina pode comprometer o aproveitamento da fibra e aumentar o risco de compactação. O conteúdo também mostra, de forma prática, os principais sinais para avaliar a qualidade do feno no dia a dia.

Todo mundo já ouviu falar que feno é bom para cavalo e que silagem mata cavalo. Não é mesmo?

Concordo 100% com essa afirmação.

Mas, e se eu te contar que o feno também pode levar o cavalo a óbito?

Tudo vai depender da qualidade do feno.

Se eu ofereço um feno ruim, ele pode sim desencadear um quadro de cólica por compactação no seu animal.

Um feno de baixa qualidade pode comprometer digestibilidade, desempenho, saúde intestinal e predispor a problemas como cólica e perda de condição corporal.

Se você trabalha com cavalos — ou quer resultados reais com nutrição — precisa aprender a avaliar o feno com olhar clínico.

Por que a qualidade do feno é tão importante?

O feno é um volumoso, fonte de fibra para a dieta dos equinos. As fibras são a base da dieta dos equinos, pois são herbívoros fermentadores pós-gástricos.

Na prática, isso quer dizer que toda fonte de fibra de qualidade é digerida pelos microrganismos no intestino grosso, na região do ceco e do cólon, por um processo chamado de fermentação.

A fermentação gera como resultado os chamados ácidos graxos voláteis (AGV’s), que são: propionato, butirato e acetato. Esses AGV’s entram no metabolismo e ajudam a gerar ATP, a molécula de energia.

Descomplicando: toda fonte de fibra de qualidade gera energia no cavalo.

Estou o tempo todo reforçando fibra de qualidade porque existem fibras que não são de qualidade, e essa se chama: lignina.

O problema da lignina

A lignina é uma fibra que não tem aproveitamento pelos microrganismos do intestino grosso, além de ser uma fibra hidrofóbica.

Ou seja, se um feno tem excesso de lignina, eu não gero energia para esse cavalo a partir do volumoso.

Isso afeta tudo: ganho de peso, musculatura, reprodução, crescimento, lactação, resistência e locomoção.

Ponto 1: feno com excesso de lignina não tem aproveitamento, não tem fermentação e não tem ATP.

A segunda principal característica da lignina é que ela é hidrofóbica, ou seja, tem baixa afinidade com a água.

O trato gastrointestinal é um meio aquoso, e a água é necessária para diversas reações químicas e para o processo de digestão.

Se a lignina não se mistura com a água e o cavalo comer um feno lotado de lignina, o que pode acontecer?

Compactação.

O bolo alimentar cheio de lignina tem dificuldade para passar pelo trato gastrointestinal porque não se mistura com a água, e isso pode gerar compactação no estômago e no intestino, sendo uma das principais causas de cólica.

Inclusive, é possível observar hipermotilidade em animais que ingeriram excesso de lignina, justamente pela tentativa do organismo de expulsar esse excesso não aproveitado.

Feno com excesso de lignina é problema.

E na prática: como avaliar o feno?

A lignina é uma fibra de sustentação e rigidez. Isso quer dizer que, quanto mais velha a forrageira, mais alta ela fica e mais sustentação ela precisa.

Ou seja: quanto mais velho, mais alto, mais lignina.

Se eu tenho um pasto de tifton para corte de feno e esse pasto passa do ponto, significa que essa forrageira cresceu demais e não foi cortada para iniciar o processo de fenação no tempo certo.

A planta produz lignina enquanto está viva e amadurecendo no campo. Após o corte, não há mais atividade metabólica.

Isso quer dizer que, se um feno possui alto teor de lignina, com muitos talos, ele foi cortado no tempo errado.

Importante: a lignina é inversamente proporcional à qualidade nutricional. Quanto mais lignina, menos fibras boas, menos proteína, menos carboidratos, menos minerais e menos vitaminas.

Como a lignina é uma fibra de sustentação, ela aumenta a espessura da parede celular vegetal. Na prática, enxergamos isso como talos grosseiros e duros no feno.

Quando tentamos dobrar um feno com muita lignina, ele é difícil de dobrar, mais rígido, e também pode apresentar coloração mais amarelada.

Atenção: nem todo feno amarelo está com alto teor de lignina, pois isso também pode estar relacionado ao tempo de armazenamento. Porém, todo feno com talos grosseiros e amarelos tende a indicar excesso de lignina.

Além dos talos, o feno não pode conter mau cheiro, mofo, bolores, inflorescência. O ideal é que contenha folhas. As folhas são macias, maleáveis e representam alto valor nutricional e fibras boas.

Comparação visual da qualidade do feno para equinos, mostrando um feno mais grosseiro e outro mais fino, verde e com maior proporção de folhas

Comece pelo básico bem-feito: avaliar o feno que você oferece.

Porque, no final, não é sobre dar feno — é sobre dar o feno certo.

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